ANGOLA E RDC PASSAM À IMPLEMENTAÇÃO DO ACORDO DA ZONA DE INTERESSE COMUM APÓS MAIS DE 20 ANOS DE NEGOCIAÇÕES
Luanda, 22 de Julho de 2026 – Depois de mais de duas décadas de negociações, consultas técnicas, concertação diplomática e construção de consensos, Angola e a República Democrática do Congo (RDC) alcançaram um marco histórico ao avançarem para a fase de implementação do acordo que estabelece a exploração conjunta de hidrocarbonetos na Zona de Interesse Comum (ZIC).
O passo decisivo foi dado durante a reunião de alto nível realizada em Luanda, nos dias 21 e 22 de Julho, que reuniu especialistas e responsáveis governamentais dos dois países sob a liderança do Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Pedro Azevedo, e da Ministra de Estado e Ministra dos Hidrocarbonetos da RDC, Acacia Bandubola Mbongo.
O encontro permitiu concluir uma etapa considerada fundamental de um processo iniciado em 2003, cuja concretização exigiu anos de negociações técnicas, jurídicas e políticas entre os dois Estados. Com a assinatura da Adenda ao Contrato de Partilha de Produção do Bloco 14/23 e da Declaração Conjunta sobre a implementação do Acordo de Governança e Gestão da Zona de Interesse Comum, as partes deixam para trás a fase predominantemente negocial e entram na etapa da operacionalização efectiva da ZIC.
Do diálogo à implementação
Durante mais de vinte anos, Angola e a RDC trabalharam na definição dos mecanismos de cooperação necessários para assegurar uma gestão partilhada, equilibrada e transparente dos recursos existentes na área marítima comum. A reunião de Luanda representou, por isso, um momento de viragem, ao estabelecer medidas concretas para colocar em funcionamento os órgãos de gestão e supervisão previstos nos acordos assinados pelos dois países.
Entre as decisões adoptadas destacam-se a indicação dos representantes das diferentes estruturas de governação da ZIC, a constituição da Comissão de Supervisão da Conta Conjunta Angola-RDC e a definição dos procedimentos para a sua operacionalização. Ficou igualmente acordada a realização, dentro de 30 dias, da primeira reunião da referida comissão.
Concluímos a etapa preponderante deste processo
Na sua intervenção, o Ministro Diamantino Azevedo sublinhou o significado histórico do momento, recordando que recebeu a missão de conduzir o processo à sua conclusão no início do primeiro mandato do Presidente João Lourenço.
O governante destacou que, após mais de vinte anos de trabalho, “hoje podemos dizer que concluímos a etapa preponderante deste processo”, agradecendo a todos os que participaram nas negociações desde 2003 e apelando para que os compromissos assumidos sejam rapidamente transformados em resultados concretos para as populações de ambos os países.
Cooperação africana com impacto regional
Os governos de Angola e da RDC consideram a Zona de Interesse Comum uma das mais avançadas experiências de cooperação energética entre Estados africanos. A implementação efectiva da ZIC deverá contribuir para o reforço da segurança energética regional, o aumento da atractividade do sector petrolífero, o crescimento das receitas públicas e a criação de novas oportunidades económicas para os cidadãos dos dois países.
Com os procedimentos de ratificação concluídos e os mecanismos institucionais agora em fase de activação, Angola e a RDC iniciam um novo capítulo da sua parceria estratégica: o da execução prática de um projecto cuja construção exigiu mais de vinte anos de persistência diplomática e cooperação bilateral.