DELOITTE APRESENTA ROTEIRO PARA TRANSFORMAR RIQUEZA MINERAL EM VALOR
Num estudo intitulado "Preparar o futuro hoje - da riqueza mineral à criação de valor", a Deloitte, empresa vencedora do concurso público para a realização do Estudo de Competitividade do Sector Mineiro Angolano, defende que Angola reúne todas as condições para transformar a sua riqueza mineral num motor de diversificação económica nos próximos 15 anos.
O documento foi apresentado, a 23 de Setembro, por Frederico Martins Correia, Líder da Deloitte para o Sector Mineiro, durante a cerimónia de celebração do 15º aniversário do Código Mineiro, realizada no Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, sob coordenação do ministro Diamantino Azevedo.
No âmbito do programa oficial, e prosseguindo com os trabalhos, realizou-se a apresentação sobre o Estudo de Competitividade do Sector Mineiro Angolano, um instrumento estratégico que servirá de base para a futura revisão do Código Mineiro e para o posicionamento de Angola na nova corrida global aos minerais críticos.
O diagnóstico traçado aponta que o mundo entrou numa nova corrida aos minerais críticos. Até 2030, a produção mineira mundial manterá crescimento moderado, mas África será a região que mais cresce, com 1,7% ao ano, passando de 9% para 13% da quota global. O continente detém já mais de 50% da produção mundial de cobalto, manganês e platina. Até 2040, a procura global por minerais críticos deverá duplicar e por lítio triplicar, impulsionada pela transição energética e digital, num mercado onde 86% da refinação está concentrada em apenas três países.
Neste contexto, o responsável referiu que Angola surge com vantagem competitiva ímpar porque conta com mais de 30 minerais sob prospecção e exploração, incluindo 97% dos minerais críticos para a transição energética – lítio, nióbio, níquel, cobre, cobalto e terras raras –, 492 títulos mineiros activos, sendo 56% de prospecção e 44% de exploração, localização estratégica com acesso aos Corredores do Lobito e de Moçâmedes e experiência institucional consolidada com ANRM, IGEO, Endiama e Sodiam. Os diamantes, que representam 5,8% das exportações em 2025, afirmam-se já como o principal produto de exportação não petrolífero, face aos 80,6% do petróleo, enquanto a atracção de operadores como Rio Tinto, Ivanhoe e De Beers e projectos como a Mina de Cutato e a Mina de Cobre de Tetelo confirmam o interesse internacional.
Para transformar riqueza em valor, o estudo define seis eixos estratégicos: Conhecimento geológico, com potenciação do PLANAGEO; Ambiente de negócios, para atrair financiamento e capturar mais valor local; Regulatório e institucional, assegurando previsibilidade fiscal e interlocutor único para o investidor; Infra-estruturas de suporte, ligando regiões mineiras à rede nacional; Organização e capital humano, adequando a formação às necessidades emergentes; e Sustentabilidade e inovação, consolidando a sustentabilidade como factor de competitividade.
A encerrar, Frederico Correia defendeu que o futuro assenta em duas escolhas fundamentais: escolher onde competir, priorizando minerais com maior relevância estratégica e promovendo a transformação e beneficiação local; e executar com disciplina, garantindo execução coordenada entre instituições, escalonamento de investimentos e monitorização de resultados.