ANGOLA REFORÇA INDUSTRIALIZAÇÃO E ATRACÇÃO DE INVESTIMENTO EUROPEU
O Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Azevedo, apresentou nesta segunda-feira, 18 de Maio, em Madrid, Reino de Espanha, o potencial energético e mineiro do País. O governante destacou a estabilidade política, jurídica e fiscal como factores determinantes para atrair investimento europeu e consolidar parcerias estratégicas de longo prazo.
Ao intervir no fórum internacional dedicado ao sector extractivo e energético, Azevedo afirmou que Angola está a abandonar progressivamente o modelo económico centrado na exportação de matérias-primas, apostando na industrialização local, na valorização dos recursos minerais e no desenvolvimento de cadeias produtivas integradas.
Segundo o ministro, “Angola já não é uma promessa. É uma decisão de investimento”, defendendo que o País reúne actualmente condições sólidas para acolher capital estrangeiro com segurança e previsibilidade.
Estabilidade e confiança
Diamantino Azevedo sublinhou que o Executivo tem reforçado a segurança jurídica, modernizado o quadro regulatório e promovido maior transparência institucional. Garantiu igualmente condições legais e cambiais para a protecção do capital investido e o repatriamento de dividendos.
De acordo com o ministro, a confiança dos investidores assenta em quatro pilares fundamentais: estabilidade política, legal, contratual e fiscal, aspectos que, frisou, “Angola consolidou nos últimos anos”.
Recursos como activos estratégicos
O governante destacou que os recursos naturais deixaram de ser apenas matérias-primas para se transformarem em activos estratégicos ligados à energia, indústria, tecnologia e soberania económica. “O verdadeiro desafio já não é saber quais países possuem recursos, mas sim quais são capazes de transformá-los. Quem não industrializa os seus recursos exporta riqueza e importa dependência”, afirmou.
Potencial energético e mineiro
Azevedo considerou Angola um dos territórios mais promissores de África em termos geológicos, lembrando que grande parte do território nacional permanece subexplorado, o que abre espaço para novas descobertas e projectos de grande escala.
No sector petrolífero, recordou que Angola produz cerca de um milhão de barris de petróleo por dia, mas salientou que o futuro energético passa também pelo gás natural. “O gás não é apenas um subproduto do petróleo. É um pilar estratégico da industrialização”, declarou, apontando aplicações em fertilizantes, siderurgia, segurança alimentar e materiais avançados.
No domínio mineiro, destacou a produção nacional de ouro, manganês, quartzo, cobre, ferro e rochas ornamentais, acrescentando que o País entrou numa nova fase estratégica orientada para minerais críticos como terras raras, nióbio, lítio e metais de base. Estes recursos, disse, são essenciais para a transição energética global e posicionam Angola de forma estratégica nas cadeias internacionais de abastecimento.
Valor local e desenvolvimento sustentável
O ministro reafirmou a aposta na criação de valor local, defendendo a refinação do ouro, o aumento do valor acrescentado nos diamantes e a industrialização dos minerais como caminhos para gerar emprego, prosperidade e desenvolvimento sustentável.
Referiu ainda investimentos em infra-estruturas energéticas, incluindo a modernização das refinarias e a expansão de novos projectos em Cabinda, Soyo e Lobito, iniciativas que visam reforçar a segurança energética, a resiliência económica e a competitividade regional.
Espanha como parceiro estratégico
Na ocasião, Diamantino Azevedo considerou Espanha um parceiro natural de Angola, devido aos laços históricos, institucionais e empresariais existentes entre os dois países. Defendeu a construção de alianças estruturais e não apenas relações transaccionais.
“Angola está aberta, estável e em transformação. Procuramos parceiros de longo prazo para construir uma nova etapa de crescimento, industrialização e prosperidade partilhada”, concluiu.