• VALORIZAÇÃO DOS DIAMANTES AFRICANOS EXIGE MAIOR ENVOLVIMENTO DOS PRODUTORES


    O Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, defendeu esta quarta-feira, 4 de Novembro, em Luanda, uma maior participação dos países africanos em toda a cadeia de valor dos diamantes, como condição para converter o potencial diamantífero do continente em industrialização, emprego qualificado e desenvolvimento económico. A posição foi expressa durante a cerimónia alusiva ao 20º aniversário da Associação dos Países Africanos Produtores de Diamantes (ADPA).

    Na sua intervenção, o governante afirmou que o verdadeiro valor dos diamantes não deve ser avaliado apenas pelo volume de produção ou pelas receitas de exportação, mas também pela capacidade de gerar oportunidades económicas, conhecimento, emprego qualificado e melhores condições de vida para as populações.

    Diamantino Azevedo recordou que a criação da ADPA, a 4 de Novembro de 2006, resultou de uma visão estratégica assente na concertação entre os países produtores, na partilha de experiências e na defesa dos interesses africanos no mercado internacional. Destacou igualmente a inauguração da sede permanente da organização, em Luanda, em Fevereiro de 2025, como um marco importante para a sua consolidação institucional.

    Referindo-se aos desafios que actualmente se colocam ao sector, nomeadamente a volatilidade dos preços, o crescimento dos diamantes sintéticos e as crescentes exigências em matéria de rastreabilidade, transparência e competitividade, o Ministro defendeu o reforço da presença africana em todas as etapas da cadeia produtiva, da extracção à lapidação, ao polimento e à joalharia.

    «O futuro da indústria diamantífera africana dependerá, em grande medida, da nossa capacidade de trabalhar em conjunto, antecipar as mudanças do mercado, investir nas pessoas e nas tecnologias e garantir que uma parcela crescente do valor gerado pelos nossos recursos permaneça nas nossas economias», afirmou.

    O titular da pasta dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás sublinhou ainda a necessidade de assegurar uma exploração responsável dos recursos minerais, baseada no respeito pelo ambiente, pelas comunidades e pelas gerações futuras, considerando a sustentabilidade e a transparência factores essenciais para a credibilidade da indústria diamantífera africana.

    No plano institucional, defendeu o reforço da capacidade operacional e financeira da ADPA, a participação efectiva dos Estados-Membros, a formação de quadros especializados e o aprofundamento das parcerias regionais e internacionais. Segundo referiu, a experiência acumulada pela organização deve traduzir-se em iniciativas concretas e resultados tangíveis para os seus membros, tendo reafirmado o compromisso de Angola em continuar a apoiar a Associação.

    Por fim, considerou a admissão do Botswana na ADPA como um passo relevante para o fortalecimento da cooperação e da concertação entre os países africanos produtores de diamantes, contribuindo para uma representação mais ampla e robusta da organização no continente.