A Sonangol e a ANPG comercializaram, no 4.º trimestre de 2025, um total de cerca de 38 milhões de barris de petróleo, parte dos 93,94 milhões de barris de crude extraído e exportado por Angola no mesmo período.
Os dados foram divulgados esta quinta‑feira, 29, e mostram um aumento em volume comercializado face ao trimestre anterior, embora com redução do valor bruto das vendas, que se fixou em 2,4 mil milhões de dólares, influenciado pela queda do preço médio do Brent.
Durante o trimestre, o Brent oscilou entre 68,33 USD e 60,20 USD por barril, resultando numa média próxima dos 64 USD.
Segundo o Presidente do Conselho Executivo da Sonangol, Luís Manuel, a dinâmica dos preços internacionais foi marcada pelo aumento moderado da produção da OPEP+, interrupções na produção russa, reforço das sanções internacionais, tensões envolvendo Rússia e Venezuela e expectativas de cortes das taxas de juro nos EUA. Em sentido contrário, influenciaram negativamente os preços o aumento da produção norte‑americana, a acumulação de stocks globais, o abrandamento da economia chinesa, a valorização do dólar e previsões de oferta abundante.
As ramas angolanas enfrentaram maior concorrência internacional, custos de frete mais elevados e fraca utilização das refinarias asiáticas. Contudo, beneficiaram da maior procura por crude médio e doce, das restrições ao petróleo russo e venezuelano e de maior competitividade nos mercados asiático e norte‑americano. A China manteve-se como principal destino, absorvendo mais de 60% das exportações nacionais, seguida da Índia, Indonésia e Brasil.
No segmento dos produtos refinados, registou-se crescimento das exportações em volume e valor, enquanto as importações aumentaram de forma mais expressiva, acompanhando o maior consumo interno próprio do último trimestre.
Para o 1.º trimestre de 2026, prevê‑se um ambiente de mercado internacional volátil, condicionado por factores geopolíticos, elevada oferta global e pela evolução da política monetária das maiores economias. Ainda assim, mantêm-se oportunidades para o petróleo angolano, impulsionadas pelas restrições a produtores sob sanções internacionais.