Crónica
Ao transpormos novamente as portas da Sala Europa, no Palácio Egmont, em Bruxelas, nesta manhã de 7 de Outubro de 2026, foi impossível não sentir que aquele espaço guarda já uma página especial da história recente da governação dos recursos naturais de Angola. Foi precisamente ali que, em 16 de Junho de 2022, o Conselho de Administração da Iniciativa para a Transparência das Indústrias Extractivas (ITIE) aprovou a candidatura de Angola, admitindo o país como 57.º país implementador da ITIE e 28.º país africano integrante da iniciativa.
Quatro anos depois, a delegação angolana regressa à mesma sala. As paredes mantêm a sobriedade característica das grandes decisões internacionais, mas os olhares são diferentes. Já não são os de um país candidato que bate à porta de uma organização global em busca de reconhecimento. São os de um país que percorreu um caminho exigente de implementação, aprendizagem institucional e afirmação do seu compromisso com a transparência e a boa governação dos recursos minerais, petrolíferos e gasíferos.
A coincidência do regresso à Sala Europa, agora no âmbito da Jornada de Aprendizagem entre Pares da ITIE, actividade preparatória da 10.ª Conferência Mundial da ITIE, tem um significado que vai além do protocolo. É um reencontro simbólico com um momento fundador. Cada cadeira, cada corredor e cada espaço daquela sala parecem recordar as expectativas depositadas em Angola naquele Junho de 2022, quando o país assumiu perante a comunidade internacional o compromisso de tornar mais transparente toda a cadeia de valor das indústrias extractivas.
Há lugares que entram na história pela imponência arquitectónica. Outros, pela relevância das decisões que acolhem. O Palácio Egmont pertence a esta segunda categoria. Para Angola, o edifício tornou-se um marco associado a uma nova fase da gestão dos recursos naturais. Foi ali que se consolidou uma opção estratégica do Estado angolano: alinhar-se com os padrões internacionais de transparência, prestação de contas e participação multiparticipativa na gestão das receitas provenientes do petróleo, do gás e dos recursos minerais.
Por isso, o regresso da delegação angolana à Sala Europa foi marcado por um sentimento simultâneo de nostalgia e satisfação. Nostalgia, porque a memória transporta inevitavelmente para o momento da admissão de Angola na ITIE. Satisfação, porque quatro anos depois, o país regressa não para celebrar uma promessa, mas para partilhar uma experiência em construção, aprender com outros países implementadores e contribuir para o debate global sobre transparência e governação responsável dos recursos naturais.
A Sala Europa voltou, assim, a ser palco de um capítulo importante da presença angolana na ITIE. E o Palácio Egmont reafirma o seu lugar na memória institucional do sector extractivo angolano, como um espaço onde se cruzam compromissos, aprendizagem e visão de futuro. Para os membros da delegação nacional, entrar novamente naquela sala significou muito mais do que participar numa reunião preparatória: significou revisitar um momento histórico e renovar a convicção de que a transparência continua a ser uma das mais importantes alavancas para transformar a riqueza mineral, petrolífera e gasífera em prosperidade partilhada para todos os angolanos.