• POTENCIAL MINEIRO ANGOLANO EM DESTAQUE NO FÓRUM DE NEGÓCIOS ANGOLA–JAPÃO


    As oportunidades de investimento no sector mineiro angolano, o novo modelo de governação dos recursos minerais, a diversificação da produção e as perspectivas de cooperação económica dominaram as discussões do Fórum de Negócios Angola–Japão, realizado esta sexta-feira, 23 de Outubro, em Luanda.

    O encontro, organizado pela Embaixada do Japão em Angola e pela Organização de Comércio Externo do Japão (JETRO), em colaboração com a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), reuniu representantes governamentais, empresários e instituições de promoção do investimento dos dois países, com o objectivo de reforçar as relações económicas e identificar oportunidades de parceria em sectores estratégicos.

    No domínio mineiro, foram apresentadas as reformas em curso no sector dos recursos minerais, com destaque para a separação entre as funções de concessionária e de operador mineiro, medida que visa reforçar a transparência, a eficiência institucional e a confiança dos investidores. Foi igualmente abordado o papel da Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM), enquanto concessionária nacional, bem como o reposicionamento da Endiama como empresa focada exclusivamente na actividade operacional.

    Os participantes tomaram conhecimento dos avanços proporcionados pelo Plano Nacional de Geologia (PLANAGEO), que permitiu reforçar o conhecimento do potencial geológico do país através da produção de informação geocientífica, da criação de infra-estruturas de apoio e da formação de quadros especializados.

    Foram igualmente apresentados os serviços técnicos e científicos disponíveis para apoiar as actividades de prospecção e investimento, incluindo os laboratórios geológicos e mineiros de Luanda, Lunda-Sul e Huíla, equipados para análises químicas, caracterização de rochas ornamentais, estudos de metais básicos e identificação de microdiamantes. O Instituto Geológico de Angola (IGEO) disponibiliza ainda levantamentos geofísicos, análises laboratoriais, assistência técnica especializada e acesso a bases de dados geocientíficos, contribuindo para a redução dos riscos associados ao investimento mineiro.

    Entre as oportunidades de negócio destacadas, figuram projectos associados ao cobre, nióbio, diamantes, ferro e rocha fosfatada. Mereceu particular atenção a estratégia nacional para o desenvolvimento de uma cadeia integrada de fertilizantes NPK, baseada na utilização de gás natural como fonte de nitrogénio, fosfato proveniente de Cacata e potássio de Cabinda, complementados por importações quando necessário.

    O potencial do nióbio foi igualmente evidenciado, atendendo à crescente procura internacional deste mineral, utilizado na produção de ligas metálicas de elevada resistência e em diversas aplicações industriais de tecnologia avançada. A sustentabilidade e as boas práticas ambientais, sociais e de governação (ESG) constituíram outro dos temas centrais do fórum. Foi defendida a adopção de uma mineração responsável, apoiada pelo crescente contributo das fontes de energia limpa na matriz energética nacional, condição considerada essencial para a competitividade e para o acesso ao financiamento internacional.

    A abordagem dos temas ligados ao sector mineiro foi conduzida por Paulo Tanganha, Director Nacional dos Recursos Minerais do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), que apresentou aos investidores japoneses e angolanos as potencialidades geológico-mineiras do País, os instrumentos de suporte à actividade mineira e as oportunidades emergentes para o investimento privado.