Em entrevista exclusiva, concedida, a 3 de Junho de 2026, à revista Angola Minas, Makenda Ambroise, antigo administrador da Companhia de Diamantes de Angola (DIAMANG), ex-Ministro da Geologia e Minas e actualmente consultor do Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, destacou o papel decisivo da criação da ENDIAMA na afirmação da soberania nacional sobre os recursos diamantíferos.
Com um percurso ligado aos principais momentos de transformação do sector, Makenda Ambroise recordou que a DIAMANG, fundada em 1917 e encerrada formalmente a 17 de Fevereiro de 1988, dominou a exploração diamantífera durante o período colonial. Embora tivesse sede em Lisboa, a DIAMANG mantinha o seu principal centro operacional no Dundo, Lunda Norte, com representações em Luanda, Saurimo, Malanje, Benguela e Luena.
Segundo o consultor, durante grande parte da sua existência, os cargos estratégicos da DIAMANG foram ocupados por portugueses e representantes dos accionistas estrangeiros. A integração de angolanos em funções de direcção iniciou-se apenas a partir de 1974. Após a independência, a empresa passou a ser gerida por um Conselho de Administração com oito membros, quatro nomeados pelo Estado angolano. Makenda Ambroise ocupou então o cargo de Administrador para a Área Técnica e Operações Mineiras.
A transição para a soberania efectiva do Estado deu-se com a criação da Endiama, a 15 de Janeiro de 1981. “A criação da Endiama representou uma decisão estratégica do Estado angolano para garantir a soberania nacional sobre os diamantes e assumir a gestão directa do subsector”, afirmou. O primeiro Presidente do Conselho de Administração da Endiama foi o Tenente-Coronel Manuel Francisco Lourenço “Ngakumona”, que acumulou inicialmente o cargo com a presidência da DIAMANG.
Na entrevista, Makenda Ambroise sublinhou as diferenças entre as duas fases. Se a DIAMANG atingiu picos de produção superiores a 2 milhões de quilates em 1972, grande parte dos lucros era expatriada e o Estado tinha controlo limitado. Já com a Endiama, os diamantes passaram a património estratégico nacional, permitindo a participação directa do Estado na gestão das receitas, a criação de empresas participadas e o reinvestimento em infra-estruturas, formação de quadros e desenvolvimento regional.
O cenário melhorou após o alcance da paz em 2002. Com projectos como Catoca, Lulo, Kaixepa, Chitotolo, Luele e Luminas, Angola alcançou em 2025 uma produção superior a 15,1 milhões de quilates e receitas de 1,81 mil milhões de dólares, ocupando o terceiro lugar mundial em volume de produção e vendas, atrás da Rússia e do Botswana.
Apesar de reconhecer o legado da DIAMANG na descoberta e industrialização do sector mineiro, Makenda Ambroise reforça que “a criação da Endiama representou e continua a representar a afirmação da soberania nacional sobre esses recursos estratégicos para o desenvolvimento sócio-económico de Angola e o bem-estar do povo”.
Hoje, a lei determina que a exploração industrial de diamantes em Angola só é permitida com participação da Endiama, através de joint ventures ou contratos de investimento mineiro aprovados pelo Estado. A excepção aplica-se apenas à exploração semi-industrial de pequena escala, onde a Endiama decide caso a caso sobre a sua participação.