Angola produziu 15,19 milhões de quilates de diamantes em 2025, registando um crescimento de cerca de 8% face a 2024 e superando as metas previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023–2027, revelou esta terça feira, 14, o Secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Víctor, durante a reunião de balanço da produção, comercialização e exportação de diamantes, realizada no Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, onde foram também apresentadas as perspectivas do subsector para 2026.
Segundo o governante, a produção alcançada ultrapassou tanto a meta inicial do PDN, fixada em 15,13 milhões de quilates, como a meta revista de 14,8 milhões, confirmando a solidez do sector diamantífero nacional, apesar de um contexto internacional marcado por desafios. No domínio do comércio externo, Jânio Corrêa Víctor informou que, em 2025, Angola exportou mais de 17 milhões de quilates, correspondentes a um valor bruto de 1,6 mil milhões de dólares norte americanos. Os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino, absorvendo 78,6% das exportações, seguidos pela Bélgica, com 19,9%, informou o Secretário de Estado. De acordo com os dados apresentados, o volume de diamantes comercializado aumentou cerca de 70% em relação ao ano anterior, enquanto o valor bruto cresceu 6,7%, resultado de uma estratégia orientada para o aumento dos volumes como forma de compensar a pressão descendente dos preços no mercado internacional.
Ao abordar o contexto global, o Secretário de Estado reconheceu que o mercado de diamantes continua exigente, influenciado por uma procura mais contida, pela concorrência dos diamantes sintéticos e por ajustamentos estruturais ao longo da cadeia de valor. Ainda assim, destacou que Angola tem vindo a afirmar se como um actor resiliente e cada vez mais credível no panorama mundial.
O governante reafirmou o compromisso do Executivo com um sector mineiro transparente, responsável e sustentável, assente na boa governação, na valorização do capital humano, no reforço do conteúdo local e na atração de investimento qualificado. No domínio da responsabilidade social, destacou o contributo das empresas diamantíferas na implementação de projectos estruturantes nas áreas da educação, saúde e formação profissional, com impacto directo nas comunidades.
Entre as iniciativas mencionadas constam a construção e o apetrechamento do Campus Universitário Lueji A’Nkonde, no Dundo, e do Instituto Politécnico de Saurimo, ambos inaugurados em Agosto de 2025 pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, bem como o reassentamento de 300 famílias provenientes de comunidades adjacentes à Mina do Luele, na província da Lunda Sul.
Jânio Corrêa Víctor sublinhou ainda que o encontro decorre no mês em que se assinala o Dia do Trabalhador Mineiro Angolano, celebrado a 27 de Abril, uma efeméride que homenageia os profissionais que contribuem para a valorização dos recursos minerais e para o desenvolvimento do País.
Relativamente a 2026, o Secretário de Estado referiu que o Executivo antevê uma estabilização gradual do mercado, sustentada por maior disciplina na oferta e por uma procura mais selectiva, ainda que condicionada por factores externos.