O ano lectivo do ensino superior foi oficialmente aberto, a 2 de Outubro, no Huambo, com a Aula Magna proferida pelo Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, convidado também na qualidade de docente universitário, reforçando a ligação entre a academia e o sector produtivo.
Sob o lema “Consolidar a Qualidade, Transformar o Conhecimento e Servir Angola”, a cerimónia decorreu no Auditório Gabriel Antunes do CEFOJOR, presidida pelo Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Dionísio da Fonseca, em representação do Presidente da República, João Lourenço, numa iniciativa do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o Governo Provincial do Huambo. Perante reitores, docentes e mais de 41 mil estudantes da província, Diamantino Azevedo afirmou que os recursos naturais não se convertem automaticamente em desenvolvimento, defendendo que o futuro de Angola depende da capacidade de transformar o potencial mineral em conhecimento, tecnologia e emprego qualificado.
“Precisamos de conhecimento,competências, instituições capazes e responsabilidade perante as comunidades”, sublinhou o Ministro, citando como exemplos estruturantes o Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo, a produção de ferro-gusa no Cuchi, a futura fábrica de amónia e ureia no Soyo e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Sonangol.
Azevedo deixou ainda a frase que marcou a sessão: “A qualidade que não se consolida é episódica; o conhecimento que não se transforma fica arquivado; e o saber que não serve Angola corre o risco de se tornar mera vaidade.”
Na sua intervenção, o Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil destacou o papel do ensino superior na formação do capital humano e no desenvolvimento económico e social do país, defendendo o reforço da qualidade do ensino, da investigação científica e da ligação entre universidades, Estado e sector empresarial, com instituições mais preparadas para os desafios da Inteligência Artificial, robótica e transformação digital.
O Ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Ferreira, anunciou a retoma do Programa de Envio de Licenciados e Mestres de mérito para universidades de referência internacional e o reforço do financiamento competitivo da investigação científica através da FUNDECIT, com o objectivo de elevar a qualidade e a internacionalização do ensino superior angolano.
Por seu turno, o Governador Provincial do Huambo, Pereira Alfredo, informou que a província conta com sete instituições de ensino superior — duas públicas e cinco privadas — que acolhem 41.696 estudantes e 1.637 docentes, tendo já formado 33.336 quadros entre licenciados e mestres. Destacou ainda as obras do futuro Campus Universitário da Universidade José Eduardo dos Santos e do ISCED-Huambo como factores decisivos para a consolidação da qualidade.
Com a Aula Magna proferida no Huambo, ficou reforçada a mensagem de que o conhecimento deve estar no centro da transformação dos recursos naturais em progresso para Angola.