• ANGOLA PREPARA ENTRADA EM OPERAÇÃO DA PRIMEIRA REFINARIA DE OURO


    A primeira Refinaria de Ouro de Angola, construída de raiz e financiada pela Endiama, deverá entrar em funcionamento, no final do 2026, permitindo ao país refinar, certificar e comercializar ouro em território nacional, reforçando a soberania sobre os recursos auríferos e agregando valor à produção nacional. Localizada no Pólo Industrial de Viana, em Luanda, a infra-estrutura ocupa uma área de 3.789,95 metros quadrados, terá capacidade para processar até 25 quilogramas de ouro por dia e integra uma refinaria, um laboratório e a primeira contrastaria pública do país.

    A informação foi apresentada por Kimba Baptista durante a XIII Reunião do Conselho Consultivo do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), realizada nos dias 13 e 14 de Agosto de 2026, sob o tema“Refinaria de Ouro em Angola: Da extracção ao metal certificado, construir uma indústria nacional de valor”.

    O projecto surge num contexto de crescimento do mercado mundial do ouro, cuja oferta atingiu um recorde histórico de 5.002 toneladas em 2025. No mesmo período, África produziu cerca de 1.010 toneladas, correspondentes a aproximadamente 20% da produção mundial. Apesar deste desempenho, grande parte do ouro africano continua a ser refinada fora do continente, reduzindo o valor acrescentado captado pelos países produtores.

    Com a entrada em funcionamento da refinaria, Angola passará a controlar internamente todas as etapas da cadeia de valor do ouro, desde a prospecção e extracção até à refinação, ensaio, certificação e comercialização. Neste âmbito, a contrastaria terá a responsabilidade de verificar a pureza do ouro, prata e platina e emitir as marcas oficiais de garantia exigidas para a comercialização de metais preciosos, permitindo ao país certificar soberanamente o seu próprio ouro.

    Actualmente, o projecto encontra-se na fase de comissionamento e capacitação técnica, incluindo testes aos equipamentos e formação de quadros nacionais nas áreas de ensaio, fundição, afinação e certificação. A conclusão desta fase está prevista para Setembro de 2026.

    Os dados apresentados indicam que, entre 2019 e 2025, foram ensaiados 346,63 quilogramas de ouro, equivalentes a mais de 10.781 onças finas, com uma pureza média de 93,2%. Angola conta actualmente com 49 projectos de prospecção aurífera em curso e quatro projectos em fase de produção, com investimentos superiores a 120 milhões de dólares.

    Após o início das operações, a refinaria pretende obter certificações internacionais nas áreas da qualidade, ambiente, segurança e competência laboratorial, incluindo as normas ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, ISO 11426 e ISO 17025, bem como acreditações junto de entidades de referência mundial, como a London Bullion Market Association (LBMA).